A B3 deve anunciar até julho a criação de um novo segmento de listagem com requisitos de governança acima dos atuais Novo Mercado. A proposta, em discussão final entre a bolsa, a CVM e um grupo de companhias-piloto, mira investidores institucionais estrangeiros que vêm condicionando alocação ao Brasil a critérios mais rígidos.
Três pontos estão no centro da minuta. O primeiro é a exigência de conselho de administração com pelo menos 50% de membros independentes. O segundo é a obrigatoriedade de comitê de auditoria estatutário, com pelo menos dois conselheiros independentes e renovação obrigatória a cada seis anos. O terceiro é a divulgação de remuneração executiva por nome — hoje, apenas por faixa.
Quem deve aderir primeiro
Cinco companhias estão em conversas avançadas com a B3 para serem as primeiras a migrar quando o segmento entrar em vigor, em janeiro de 2027. Não são bancos ou estatais — são empresas de tecnologia e de consumo que já operam acima dos critérios atuais e querem sinalizar diferenciação.
“Esse novo segmento não vai atrair quem está confortável onde está. Vai atrair quem precisa do selo para captar lá fora.”
Para acionistas minoritários, a expectativa é de prêmio relativo às empresas que aderirem — não pela governança em si, mas pelo sinal que aderir comunica sobre estabilidade de longo prazo. Em mercados maduros, o spread costuma ficar entre 5% e 8% sobre o múltiplo do segmento anterior.
A pergunta que fica é se o novo selo vai resistir à pressão de companhias que preferem regras mais flexíveis. Em 2015, uma tentativa parecida não saiu do papel exatamente pelo mesmo motivo.



